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Posicionamento

Portabilidade de crédito pelo Open Finance chega ao consignado e muda a conversa com o cliente

Levar um empréstimo para outro banco virou coisa de aplicativo. Com o consignado entrando no cronograma em novembro, quem concede crédito vai disputar o cliente também depois da contratação.

Desde o começo de fevereiro, quem tem um empréstimo pessoal no Brasil pode pedir para levá-lo a outra instituição sem sair do celular. O pedido é feito no aplicativo do banco que vai receber a dívida, com autorização de compartilhamento de dados pelo Open Finance, e o cliente compara ali mesmo as condições do contrato atual com a nova proposta. Segundo a Agência Brasil, fora desse ambiente a portabilidade de crédito costuma levar de 20 a 25 dias.

A primeira fase ficou restrita ao crédito pessoal sem garantia e sem consignação, o chamado crédito “clean”. O próximo passo já tem data. No cronograma apresentado pelo Banco Central na coletiva do Conselho Monetário Nacional de novembro de 2025, o crédito consignado entra no serviço com abertura ao público geral prevista para novembro de 2026, e as demais modalidades devem vir de forma gradual na sequência.

O que é a portabilidade pelo Open Finance

Para quem não acompanha o tema: o Open Finance é o sistema criado pelo Banco Central que permite compartilhar dados financeiros entre instituições de forma padronizada, sempre com o consentimento do cliente. Foi lançado em 1º de fevereiro de 2021 e, de acordo com a Agência Brasil, já soma cerca de 100 milhões de consentimentos únicos ativos, o equivalente a cerca de 30 milhões de pessoas com ao menos uma conta conectada.

A portabilidade usa essa estrutura para encurtar um caminho que sempre foi burocrático. O banco que quer o cliente enxerga os contratos elegíveis, monta a oferta e apresenta prazo, parcela e custo total lado a lado. Pelo passo a passo divulgado no lançamento, a conclusão pode levar até cinco dias úteis, sendo três para uma eventual contraproposta do banco de origem e dois para a liquidação.

Esse detalhe da contraproposta importa. O banco que está perdendo o cliente ganha uma janela curta para responder. Quem não tiver se preparado para essa conversa vai assistir à saída sem conseguir dizer nada relevante.

Juros que variam de 4% a 20% ao mês

Na entrevista de lançamento, a presidente-executiva da Associação Open Finance Brasil, Ana Carla Abrão, disse que o objetivo é tornar o mercado mais transparente, comparável e acessível para o consumidor. Ela lembrou que o crédito sem garantia apresenta juros de 4% até 20% ao mês e que, com ofertas padronizadas, o cliente consegue ver com clareza a economia nas parcelas e no custo total.

Quando a comparação fica fácil, a diferença de taxa aparece sem filtro. Isso pressiona preço, claro, mas também expõe outra coisa: o quanto o cliente se lembra de quem emprestou o dinheiro, e se tem algum motivo para ficar além da taxa do dia.

Quando trocar de banco vira uma tarefa de poucos toques, a relação construída antes da proposta concorrente passa a valer tanto quanto a taxa.

O que muda para quem concede crédito

Para bancos, fintechs de crédito e correspondentes, a portabilidade digital muda o momento em que a disputa acontece. Antes, o esforço comercial se concentrava na contratação. Agora o contrato vigente também está em jogo durante toda a sua vida, e o concorrente pode chegar ao seu cliente com uma oferta pronta, montada a partir dos dados que o próprio cliente autorizou compartilhar.

Algumas consequências práticas aparecem rápido. A comunicação depois da venda deixa de ser só cobrança e lembrete de parcela. A instituição precisa explicar com clareza o que o cliente tem, quanto paga e por que aquela relação faz sentido, antes que outra pessoa faça essa comparação por ele. O time comercial precisa de um roteiro para os três dias de contraproposta, com regras de preço e uma mensagem que não soe como desespero. E a marca precisa ser conhecida o bastante para que uma proposta vinda dela seja aceita sem desconfiança, já que portar uma dívida exige confiar em quem a recebe.

Com o consignado entrando no cronograma, o tema ganha escala. É uma modalidade em que o cliente costuma manter o contrato por anos, e a facilidade de portar tende a transformar essa base em alvo de ofertas.

A leitura da M3

A portabilidade pelo Open Finance é uma boa notícia para o consumidor e um teste de posicionamento para quem empresta. Taxa competitiva continua sendo necessária, mas deixa de ser suficiente quando todos os concorrentes conseguem enxergar e superar a sua oferta em poucos dias. O que segura o cliente é a soma de clareza, presença e reputação construídas antes do momento da troca.

Para instituições que querem crescer em crédito, a pergunta deixa de ser só “como captar mais contratos” e passa a incluir “por que o cliente ficaria”. Responder isso exige uma marca com posição definida, comunicação de relacionamento que não pareça cobrança e um processo comercial preparado para a contraproposta. É o tipo de trabalho que a M3 faz na frente de marca e posicionamento.

Fontes

Equipe M3 GrowthM3 Growth · Grupo MERC
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