Marketing e comercial precisam responder pelo mesmo número
Quando o marketing mede cliques e o comercial mede contratos, a empresa gera lead e não gera negócio. A integração começa pela meta.
Ler artigo →Desde 1º de outubro, cada instituição define o limite do Pix por aproximação. Para bancos, fintechs e varejo, a disputa passa a ser por confiança na hora de pagar.
Desde quinta-feira, 1º de outubro, o Pix por aproximação deixou de ter um teto fixo de R$ 500 por transação. A mudança está na Instrução Normativa BCB nº 746, assinada em 16 de junho e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte. O texto altera as regras de limites do Pix e revoga os artigos que tratavam do valor máximo para pagamentos iniciados por aproximação e pela chamada jornada sem redirecionamento.
Na prática, quem paga encostando o celular na maquininha passa a seguir o limite que tem na própria conta, e não mais um valor único definido pelo Banco Central. O cliente pode pedir aumento ou redução desse limite no aplicativo da sua instituição, que continua com a palavra final sobre o pedido.
Para quem ainda não usou: o recurso permite pagar com Pix da mesma forma que se paga com cartão por aproximação. O celular conversa com o terminal por NFC, a tecnologia de comunicação sem contato, e a transferência acontece na hora, sem ler QR Code e sem abrir várias telas. Segundo a Agência Brasil, a funcionalidade está disponível desde fevereiro de 2025. De acordo com reportagem do Finsiders, por enquanto ela funciona apenas em aparelhos Android.
O teto de R$ 500 foi pensado como uma trava de segurança para os primeiros meses. Ele também criava um atrito curioso: uma compra um pouco acima desse valor obrigava o cliente a trocar de meio de pagamento ou a voltar para o QR Code. Ubiratan Lima, diretor de bancos da Evertec Brasil, resumiu ao Finsiders que “uma compra acima de R$ 500 deixa de exigir uma mudança na jornada de pagamento simplesmente por causa do valor”.
A mudança mais importante está do lado de quem oferece a conta. Eduardo Bruzzi, sócio do BBL Advogados, disse ao mesmo veículo que, “para bancos e instituições de pagamento, a principal mudança é que os limites do Pix por aproximação passam a ser responsabilidade de cada instituição”.
Isso significa que bancos, fintechs e instituições de pagamento terão de decidir quanto liberar, para quem e com quais controles. Um limite generoso facilita a vida do cliente e aumenta o uso. Um limite mal calibrado abre espaço para fraude, e fraude em pagamento costuma virar notícia, reclamação pública e desgaste de marca muito rápido. As próprias reportagens sobre a mudança destacam que os mecanismos de proteção contra movimentações suspeitas seguem ativos e que a autenticação depende da configuração de cada banco.
Para o varejo e para qualquer empresa com venda presencial, a notícia é sobre conversão. Um checkout com menos interrupções tende a perder menos vendas no balcão, e o Pix por aproximação agora pode disputar tíquetes maiores com o cartão. Vale rever se a maquininha aceita o recurso, se o time de loja sabe explicar como funciona e se a comunicação no ponto de venda deixa claro que essa opção existe.
Para bancos digitais e fintechs, a mudança abre uma frente de diferenciação que vai além da tecnologia. Todas as instituições terão acesso ao mesmo recurso. O que vai separar uma da outra é a experiência de configurar o limite, a clareza das mensagens de segurança e a sensação de controle que o cliente tem quando paga um valor alto encostando o celular. Isso é produto, mas também é comunicação: tutorial bem feito, linguagem simples no aplicativo, resposta rápida no atendimento e um discurso consistente sobre proteção.
Existe ainda o ponto da reputação. Quando um meio de pagamento ganha mais alcance, ele também ganha mais exposição. Instituições que se anteciparem e explicarem ao cliente, com transparência, como os limites funcionam e o que fazer em caso de problema chegam mais preparadas ao primeiro caso de golpe que aparecer na imprensa.
Quando todo mundo oferece o mesmo recurso, quem explica melhor e passa mais segurança fica com o cliente.
Mudanças regulatórias como essa costumam ser tratadas só pelos times de produto e de risco. O efeito comercial, no entanto, aparece no balcão, no aplicativo e na conversa que o cliente tem com a marca. Para quem precisa crescer com direção, o momento pede três cuidados: revisar a jornada de pagamento com olhar de conversão, preparar a comunicação de segurança antes que ela vire urgência e alinhar marketing, atendimento e comercial em torno da mesma mensagem.
É esse tipo de alinhamento que a frente Comercial da M3 estrutura, para que a presença construída pela marca vire receita previsível também no momento de pagar.
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